Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XVI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste – João Pessoa - PB – 15 a 17/05/2014
Como o “Correio Verdade” se tornou o gabinete do prefeito
da cidade de Bayeux/Paraíba 1
Janaine S. Freires AIRES2
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ
RESUMO
Os programas sensacionalistas se consolidam como espaços privilegiados para a
construção da carreira política de comunicadores, que, em virtude das peculiaridades
deste tipo de produção, fortalecem a sua imagem como de “defensores do povo”. Neste
artigo, refletimos sobre um episódio importante da política e da mídia paraibana: a
eleição, por dois mandatos 2004-2008 e 2008-2012, do então apresentador do “Correio
Verdade”, Jota Júnior, à prefeitura de Bayeux na Paraíba. A relação, que foi responsável
por sua ascensão política assim como a de outros profissionais brasileiros, é permeada
por elementos que se originam das lógicas midiáticas e dos protocolos da política
partidária brasileira, mas principalmente da compatibilização de interesses entre o
comunicador, o seu patrão radiodifusor e o partido político que o abriga.
PALAVRAS-CHAVE: Programas populares-sensacionalistas; “Correio Verdade”;
Política Paraibana; Coronelismo Eletrônico.
Introdução
Na contemporaneidade, a lógica midiática atravessa o exercício político
provocando uma série de transformações na sociedade. Neste artigo, vamos refletir
sobre a ascensão política de um comunicador paraibano que através do seu exercício no
rádio e na televisão chegou ao comando da cidade de Bayeux, localizada na região
metropolitana de João Pessoa/PB. Josival Souza Júnior, conhecido como Jota Júnior,
ancorou um programa popular de repercussão e de grande audiência exibido de segunda
a sábado, das 12h ao 13h30, pela TV Correio, afiliada a Rede Record. Acumulando no
contrahorário, das 6h às 8h da manhã, de segunda a sexta, a apresentação um programa
de rádio.
A reflexão apresentada aqui compõe a dissertação “Programas Populares
Sensacionalistas e Relações de Poder: a construção do perfil político de um ‘defensor do
povo’”, orientada pela professora Suzy dos Santos e defendida na Universidade Federal
do Rio de Janeiro em março de 2014. Seu objetivo foi refletir sobre as estratégias
1
Trabalho apresentado no DT 7 – Comunicação, Espaço e Cidadania do XVI Congresso de Ciências da
Comunicação na Região Nordeste realizado de 15 a 17 de maio de 2014.
2
Doutoranda do programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Membro do Peic – Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia Política da Informação e da Comunicação. Mestre
pela mesma instituição e graduada em Comunicação Social/Habilitação: Jornalismo pela Universidade Federal da
Paraíba. E-mail: janaineaires@gmail.com
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utilizadas pelo Sistema Correio de Comunicação para a ascensão política de Samuel de
Paiva Henrique, o Samuka Duarte, que atualmente ocupa o antigo posto de Jota Júnior,
a frente do “Correio Verdade”, está filiado ao Partido Ecológico Nacional e pretende
candidatar-se a Deputado Estadual. Para compreender o processo, dedicamos atenção a
trajetória do programa e o seu papel como palco para a ascensão política de membros de
sua equipe. Por isso, estudar o caso que o antecedeu foi importante.
O debate sobre as imbricações entre as peculiaridades dos programas populares
sensacionalistas que dominam a paisagem audiovisual brasileira 3, em especial na faixa
de horário do meio-dia, com a política é frequentemente citada nos estudos da àrea, mas
ainda pouco aprofundada. Qual a mediação que estes personagens engendram? Quais as
estratégias para transformá-los em “defensores do povo”? Com quais relações de poder
se articulam para almejar o sucesso?
Credita-se à popularidade destes personagens o seu comum êxito na disputa
política. Apostamos que este não é o único elemento que os coloca como fortes
concorrentes. Mais do que popularidade e a visibilidade que o seu exercício profissional
lhes proporciona, destacamos que há uma economia simbólica e política que
circunscreve este fenômeno e que os diferencia de outras celebridades que ingressam no
jogo político eleitoral. Esta particularidade colabora para que a sua contribuição não
seja apenas capitalizada em votos, mas resulte em alterações no exercício político de
modo mais geral.
A hipótese que nos orienta indica que a construção política destes sujeitos é
produzida na intersecção da identificação dos interesses coletivos através do exercício
diário da comunicação e dos interesses do radiodifusor que os emprega. Nos dois
momentos históricos em que o “Correio Verdade” atuou/atua como instrumento na
ascensão política de membros de sua equipe, as candidaturas lançadas a partir dele
correspondem às alianças travadas pelo Sistema Correio, que o produz, que tem como
dono o ex-senador Roberto Cavalcanti, do Partido Republicano Brasileiro (PRB)4.
3
E não somente na paisagem audiovisual nordestina, como se costuma acreditar. Em levantamento
realizado pela autora, observou-se que em todos os estados brasileiros emissoras locais produzem
programas deste gênero. A peculiaridade com a política também é compartilhada por programas
produzidos em todas as regiões.
4
Na período de Jota Júnior, a aliança estabelecida se relacionava a administração José Maranhão
(PMDB). Vale lembrar que a ascensão deste ao poder só foi possível pela cassação do então governador
Cássio Cunha Lima (PSDB), para a qual Sistema Correio de Comunicação desempenho papel
fundamental e era parte interessada, uma vez que seu dono era suplente do senador e assumiria a vaga
caso este chegasse ao poder estadual. Já na fase de Samuka Duarte, a aliança do Sistema Correio se
modificou em virtude do rearranjo político provocado pela ascensão de Ricardo Coutinho (PSB) ao
governo estadual, explicado pela forte dependência econômica da verba publicitária pública que
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Cabe destacar que a popularidade dos apresentadores e da equipe não é
importante somente para os comunicadores e os seus patrões, mas também para todos
aqueles que por algum motivo tenham a imagem associada positivamente a ele. Este
aspecto explica em parte a importância que estes personagens adquirem no jogo político
partidário contemporâneo. Seja como um agente “puxador de voto” no cálculo político
eleitoral – aspecto que passou a ser denominado mais recentemente de “efeito Tiririca” 5
-, seja como uma ferramenta de publicização de candidaturas, desejamos demonstrar
que estes personagens vêm a cada dia se tornando mais importantes na agenda política
brasileira.
Assim, além das implicações no espaço de produção do jornalismo, altera-se a
forma como o político tradicional passou a fazer política, que se assemelha cada dia
mais à prática cotidiana do comunicador. Afinal, “hoje, o comunicador que ingressa
para a política tem que concorrer com os políticos comunicadores, cada vez mais hábeis
e mais afinados com as modernas técnicas de persuasão em comunicação” (Vidal
Nunes, 2000, p. 360).
Outros aspecto que colabora para que interesses políticos partidários se associem
aos meios de comunicação é a disciplina fléxivel que permite o acesso de interesses
políticos à programação televisiva e radiofônica brasileira. Trata-se de mais uma
implicação do sistema de “Coronelismo Eletrônico” na estrutura midiática brasileira
(Santos e Caparelli, 2005) e no qual se destaca o forte “paralelismo político”
(Albuquerque, 2012), isto é, “convergência de objetivos” entre a mídia e os partidos
políticos, que caracteriza a nossa mídia.
A peculiaridade que coloca os apresentadores de programas populares
sensacionalistas em um patamar privilegiado de ascensão é a capacidade que seu
exercício profissional adquire como um instrumento constituitivo da “rede de resolução
de problemas” (Auyero, 2001) de parcela da população. Esta capacidade se manifesta,
por exemplo, no fato de que diariamente, e há anos, mesmo sem se tratar de um
caracteriza a mídia brasileira e o paraiba em particular. Samuka Duarte filiou-se ao PSB e mais
recentemente ao PEN.
5
Em 2010, o humorista Tiririca recebeu 1,3 milhão de votos pelo Partido Republicano e tornou-se
deputado federal eleito pelo estado de São Paulo. A quantidade de votos fez com que mais quatro
candidatos de seu partido chegassem a Câmara Federal. Partidos têm requisitado a filiação de pessoas
famosas e celebridades para se beneficiar dessa possibilidade. Isto acontece pelo fato de que nas eleições
proporcionais – deputados estadual, federal e vereador –, o voto não é dado somente aos candidatos e sim
aos seus partidos e para que estes possam atingir o coeficiente eleitoral (isto é, número que resulta da
divisão dos votos válidos dados aos candidatos mais aqueles dado à legenda pelo total de cadeiras nas
câmaras e assembleias) e garantir mais vagas recorrer a esses expedientes.
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programa de auditório, dezenas de pessoas se deslocam até os estúdios da TV Correio,
na tentativa de dialogar com o apresentador e ter casos solucionados ou outras vezes
somente para conhecê-lo. Aspecto estudado pela pesquisadora Wanessa Souto Veloso
(2013).
No entanto, a ascensão política destes comunicadores não poderia ser
compreendida sem o seu apelo mitológico, que os coloca em um panorama de
aproximação com o público, através da imagem de que são “gente como a gente”, mas
os distancia colocando-os como abençoados por Deus e como indivíduos capazes de
solucionar os problemas da população, muitas vezes em uma velocidade admirável6. Em
entrevista à autora, concedida no dia 17 de janeiro de 2014, Jota Júnior destacou a
expectativa criada em torno dele pelo público como ponto chave para a sua conquista
política e mais tarde a decepção das pessoas e dele próprio com a realidade de sua
administração. Esta disparidade entre expectativa e realidade, que vamos nos deter com
mais cuidado mais a frente, é destacada como característica do exercício político que se
manifesta nestes programas tanto por estudos que se dedicam a analisar casos oriundos
do rádio como Márcia Vidal Nunes (2001), que analisou os radialistas cearenses que se
tornaram políticos entre 1982 e 1996, e tem sido apontada por relatórios de
monitoramento deste gênero na televisão (Cedeca, 2012).
Nosso percurso neste trabalho compreende inicialmente um debate sobre as
peculiaridades sociais da cidade de Bayeux e narra a entrada de Jota Júnior para a
política local. Mais adiante, por fim, discutiremos o contraste comum que se estabelece
entre os exercícios políticos do comunicador e do comunicador como político.
A lama, os homens, os caranguejos na televisão
A lama, os homens e os caranguejos. Estes três elementos são marcantes na obra
de duas grandes referências pernambucanas da sociologia e da música – Josué de
Castro (1967a; 1967b, 2003) e Chico Science, respectivamente. Somados à televisão,
tornam-se os principais personagens do processo que é parte constitutiva do “Correio
Verdade”: a eleição do apresentador do programa policial à prefeitura do município de
Bayeux.
A ascensão de Jota Júnior em 2004 e 2008 à prefeitura da cidade refletiu o
contexto político conturbado pelo qual atravessava a Paraíba e no qual os meios de
6
Enfatiza-se neste ponto que a total de desassistência social a qual parcela da sociedade está submetida a
leva a crer que a exposição midiática do caso já é por si só, a solução e a concretização da justiça.
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comunicação estavam diretamente envolvidos. As alianças políticas que tinham o seu
patrão como chave foram determinantes para a sua candidatura, Jota Júnior somou
forças para a campanha de José Maranhão, candidato aliado de Roberto Cavalcanti em
duas campanhas em 2005 e em 2009. Porém, outras peculiaridades da cidade pleiteada
se somavam ao emaranhado de relações.
A cidade de Bayeux, localizada na região metropolitana de João Pessoa, capital
da Paraíba, é um ponto de morada de cidadãos, em sua maioria, deslocados pela seca,
que buscaram em centros urbanos mais desenvolvidos uma condição social mais digna.
Seu território é constituído por 60% de manguezais e resquícios de mata atlântica, o que
torna a exploração de caranguejos atividade econômico-cultural importante para a
cidade.
Com a população estimada em mais de 100.500 habitantes, Bayeux ocupa
apenas 32 km² de área o que a torna o segundo município mais densamente povoado do
estado, muito embora não assuma a mesma representação econômica. A cidade fica
localizada a 7 km da capital. Se constituindo como uma cidade dormitório, isto é, um
município cujas atividades econômicas não são suficientes para empregar e fixar a
população economicamente ativa, o que, em consequência, leva seus habitantes a se
deslocarem diariamente para cidades vizinhas.
A cidade foi cenário de importantes episódios da história da Paraíba desde sua
colonização, já que a região abrigou os índios potiguaras e tabajaras que viviam no
norte do litoral paraibano. Sua colonização foi fortemente influenciada pela
proximidade com a capital, e pelo povoado de Santa Rita, ainda do século XVII.
Bayeux surgiu a partir do desmebramento da cidade de Santa Rita, reduto da elite
canavieira dos Ribeiro Coutinho. Somente em 1944, o povoado ganhou o atual nome.
Por uma sugestão do jornalista Assis Chateaubriand, a localidade passou a se chamar
Bayeux em homenagem à primeira cidade francesa a ser libertada dos nazistas durante a
Segunda Guerra Mundial. Quatro anos mais tarde, tornou-se distrito e em 1959, o
município foi instalado oficialmente.
A cidade tem a terceira maior média de homicídios por habitante, registrando
38,5 mortes para cada 100.000 moradores. Sendo superada por João Pessoa e Santa Rita
e sucedida pela segunda maior cidade do estado, Campina Grande. Essa característica a
transforma em principal palco das matérias veiculadas nos programas policiais do
estado da Paraíba.
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O processo político que resultou na eleição e reeleição do radialista e
apresentador de tevê Jota Júnior à prefeitura da cidade de Bayeux se instaura na
cassação do prefeito Expedito Pereira, então filiado ao PMDB. A cidade de Bayeux tem
sua história política recente caracterizada pela grande instabilidade política.
Com apenas 54 anos de emancipação, de 1964 a 1992 a administração da cidade
esteve nas mãos de Lourival Caetano e de seus aliados, entre eles sua esposa, Niná
Caetano. Conhecido como “Louro”, Caetano nasceu na cidade de Mamanguape e
tornou-se dono de uma padaria em Bayeux, vizinha aquele em que nasceu. Foi vereador
em 1955 da cidade de Santa Rita, quando Bayeux ainda pertencia aquele município,
candidatou-se a vice-prefeitura daquela cidade em 1960 e recebeu mais votos que o
candidato a prefeito vitorioso7, Antônio Texeira, fato que o fez ser levado nos braços
por seus apoiadores do Fórum do Município de Santa Rita até a sua casa localizada na
principal avenida do então distrito de Bayeux.
No processo de emancipação política de Bayeux, seu irmão, Jaime Caetano,
tornou-se o segundo interventor do município, o que o impossibilitou a candidatar-se a
prefeito naquela localidade na ocasião. Lourival Caetano administrou a cidade por três
mandatos 1964-1968; 1973-1977; 1989-1992. Intercalados por gestões de aliados: 19691972, José Marcicano, vice-prefeito do seu primeiro mandato; 1978-1982, Severina
Freire de Melo, conhecida como Niná Caetano, sua esposa; e 1983-1987, Pedro
Juvêncio que o substituiu quando foi proibido de se candidatar em virtude de
impedimentos legais do período. Elegeu-se deputado estadual em 1978. No seu último
mandato, Lourival Caetano, tinha como vice o médico Expedito Pereira, com quem
rompeu durante a gestão. Problemas de saúde o levaram a administrar a cidade a partir
do hospital até o dia de sua morte, 24 de julho de 1992, quando foi substituído pelo
vice. Atualmente, seu filho, Vanildo Caetano (PSC) e outros parentes, como a sobrinha
Iara Caetano (PSL), permanecem na disputa política da cidade.
Expedito Pereira assumiu e deu prosseguimento a administração até a realização
das eleições, para a qual não pode concorrer. No pleito de 1996, candidatou-se e venceu,
reelegendo-se em 2000. A candidata adversária, Sara Cabral, esposa do deputado
Domiciano Cabral que tem bases políticas na região, entrou com um pedido de cassação
do mandato do prefeito, em virtude de irregularidades na campanha. Em 2002, Expedito
Pereira teve seu mandato cassado, pois foi provada a compra de votos através da
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Neste periodo, as eleições para os cargos de prefeito e vice-prefeito, bem como para governador e vicegovernador e mesmo presidente e vice-presidente eram desvinculadas.
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quitação do carnê de IPTU8, quando foram arrecadados milhares de carnês assinados
pelo prefeito garantindo quitação para aqueles que lhe concedessem o voto. Inelegível,
Expedito Pereira em 2004 recorreu a popularidade do morador ilustre de Bayeux, Jota
Júnior. Apresentado-o como seu candidato. A política desenvolvida pelo Sistema
Correio na época, inclinada ao PMDB, e a popularidade de Jota Júnior na cidade foram
fatores determinantes para que os anseios do médico coincidissem com os do
apresentador e da empresa. Demonstrando os laços singulares que a política
contemporânea tem estabelecido com a comunicação de massa.
Em entrevista concedida à autora, Jota Júnior narrou a sua trajetória familiar e
profissional. A família de Jota Júnior é natural de Campina Grande e se fixou em
Bayeux. Jota Júnior tentou iniciar sua carreira em João Pessoa, mas não obteve êxito.
Após um teste, aceitou um pedido para assumir um programa de rádio na cidade de
Cajazeiras, localizada no sertão do estado e lá conquistou o sucesso. Depois de uma
estadia breve em emissoras de televisão da cidade de Fortaleza, Jota Júnior retornou a
João Pessoa para criar um programa similiar ao “Aqui e agora” na grade local. Criou
junto com a produção de TV Correio as principais características do “Correio Verdade”
e se tornou seu apresentador desde a estréia até o ano de 2010, quando já acumulava as
funções de prefeito e comunicador, embora tenha negado esta informação na entrevista
que citamos, alegando que deixou a comunicação logo após sua eleição.
Nas telas e na prática, um contraste
A presença de Jota Júnior a frente do programa mesmo sendo prefeito de um
município foi bastante criticada e combatida tanto por adversários quanto por entidades
públicas que viam sua presença diária na televisão local como um abuso de poder. Por
isso, Jota Júnior passou alguns períodos fora da televisão, mas não abandonou o
programa como disse. Inclusive, em 2010 passou a apresentar o programa “Jornal da
Correio” das 6h às 7h30min para conciliar melhor as funções. A acumulação de funções
do político e apresentador em duas cidades diferentes teve resultados intrigantes.
Algumas manifestações de categorias ligadas a cidade que administrava foram
Coluna Clílson Júnior: “Quem é Expedito Pereira?”
http://www.clickpb.com.br/colunistas/clilsoncol/quem-e-expedito-pereira/
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realizadas em frente ao Sistema Correio, como foi o caso da manifestação da greve dos
professores municipais em 2009 9.
Membros de sua família integraram o secretariado de sua gestão. Em 2006,
apoiado na popularidade de Jota Júnior, o seu irmão, José Carlos de Souza, tornou-se
deputado estadual pelo Partido Progressista (PP). Carlos Souza assumiu em 2008 a
suplência de Antônio Mineral (PSDB), e mais tarde tornou-se secretário da cidade. A
esposa de Jota Júnior, Ivanúbia Souza, foi Secretária de Ação Social e a sua cunhada,
Ivanusa Pires, Superintendente do Instituto de Previdência e Assistência ao Servidor
Público Municipal de Bayeux, o Ipam.
A participação de Jota Júnior na campanha do parente lhe rendeu processos de
cassação de mandato
10
. A denúncia se referia a utilização da máquina pública na
campanha do irmão, foi acatada pelos tribunais eleitorais locais, mas barrada pelo
Tribunal Superior Eleitoral que não retirou o exercício do mandato. Em 2008, Jota
Júnior abandonou o então aliado Expedito Pereira e estabeleceu aliança com seus
antigos adversários, Sara Cabral (DEM) e seu esposo Domiciano Cabral (DEM) que
concorreu com vice em sua chapa. A coligação do apresentador se chamava “Em nome
do bem”.
Expedito Pereira saiu do PMDB e se filiou ao PSB, mas não conseguiu vencêlos nas urnas. No caso em estudo, observamos que a gestão do prefeito começou na
mídia, já que a partir dela lançou-se candidato, mas também foi exercida através dela.
Posto que, Jota Júnior permaneceu como apresentador do programa durante a maior
parte dos seus dois mandatos.
A gestão pública desenvolvida na prática contrastava com a apresentada e
defendida na tela da televisão. O que se evidencia pelos altos índices de rejeição da
gestão e as denúncias levantadas pelo Ministério Público 11 em relação à administração
desenvolvida no município. A produção do programa e, logo, do Sistema Correio de
Comunicação, que atuaram na defesa do prefeito em diversas ocasiões, ora com o
Cf.: “Presidente do TSE garante julgar processo de Jota Júnior até o dia 10”.
http://noticiasdebayeux.zip.net/arch2009-05-31_2009-06-06.html
10
Cf.: “TSE nega pedido de cassação de Jota Junior”.
Http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20100501094145&cat=policial&keys=tse-nega-pedidoexpedito-pereira-cassar-mandato-prefeito-bayeux-jota-junior
9
Cf.: “Irregularidades na aplicação de leis”: http://www.paraiba.com.br/2012/10/04/99718-jota-junior-edenunciado-pelo-mp-por-fraudar-leis-na-prefeitura-de-bayeux; “Improbidade administrativa em
processos licitatórios”: http://tj-pb.jusbrasil.com.br/noticias/2214949/pleno-do-tjpb-julga-nesta-quartafeira-2-processos-contra-jota-junior-e-o-ex-prefeito-de-aguiar; e “Compra de votos, abuso de poder
político e econômico e utilização da máquina pública nas eleições de 2008”:
http://www.cuitepbonline.com/2010/11/jota-junior-pode-ter-cassacao.html.
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silêncio sobre as pautas que abalavam a gestão, ora apresentando as suas qualidades.
Em outras ocasiões, o apresentador não hesitou em promover eventos culturais da
cidade realizados pela prefeitura como o “Festival do Caranguejo”. Muitas vezes, tratou
de modo diferenciado as matérias que abordavam acontecimentos policiais na cidade,
chamada de “minha querida Bayeux”.
Tradicionalmente, no início de todos os programas, Jota Júnior costumava
enunciar uma mensagem encaminhada aos telespectadores, que, de modo geral, tinham
conotações religiosas, mas outras vezes diziam respeito às políticas aplicadas na
administração da cidade. Jota Júnior, na condição de apresentador, também se utilizou
do programa para comparar sua gestão com a de outros políticos, no espaço dos
comentários das matérias. Em sua grande maioria, os discursos proferidos se sustentam
na divisão entre o Bem e o Mal12. Esta mesma perspectiva também foi utilizada para a
construção da imagem de sua gestão e como resposta as críticas que recebeu.
A mesma oposição maniqueísta se manifesta tradicionalmente na construção
discursiva da crônica policial. Na qual, a ação policial é abordada no seu clímax
positivo. O produto apresentado é resultado de um modelo de apuração que a adota
como a principal fala de autoridade e cujo repertório de questionamento jornalístico
costuma coincidir com o que ela deseja apresentar.
A relação que se estabeleceu entre o gestor municipal/apresentador, nesse caso,
assemelha-se a essência do compromisso clientelista, que caracteriza a política
brasileira e que é basilar da nossa estrutura midiática. Apoio incondicional por um lado
e “carta-branca” de outro. Esse processo também é baseado em um sistema de
reciprocidades, cujo custo é a “grilagem da esperança” (Santos e Caparelli, 2005, p. 99)
de que, dentro de tais restrições estruturais, por mais dialético que o processo seja,
possamos vislumbrar avanços democráticos significativos.
O papel político desempenhado pelo jornalismo policial, em virtude das suas
especificidades (público, linguagem, audiência), é potencializado pela estreita relação
da política contemporânea com a comunicação de massa e, principalmente, pelas
relações políticas dos radiodifusores brasileiros. Contudo, mesmo que os veículos de
comunicação do Sistema Correio tenham desempenhado papel central no processo
político que descrevemos, não foram suficientes para inibir a avaliação negativa da
Cf. “Entrevista dada ao programa Correio Debate exibido após o Correio Verdade”.
http://www.youtube.com/watch?v=5fwiuQO5PBw
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gestão, que alcançou 76% de rejeição 13, de acordo com pesquisa encomendada por
veículo de comunicação adversário, o Jornal da Paraíba, da Rede Paraíba de
Comunicação.
Um aspecto a se acrescentar neste debate se refere a adoção da gestão do
comunicador na disputa simbólica por hegemonia no campo da comunicação entre os
grupos de mídia do estado. Se do lado do Sistema Correio se manifestava o apoio, de
outro se lançava fogo contra a gestão do comunicador. Jota Júnior negou que esta
disputa entre as empresas tenha lhe afetado negativamente, destacando a boa relação
com os empresários, para ele as avaliações negativas de sua gestão partiram do “baixo
clero” referindo-se a colegas de profissão que passaram a vê-lo com sarcasmo quando
ascendeu ao poder.
Jota Júnior atribui sua filiação ao PMDB ao acaso, destacando que poderia ter se
filiado a qualquer partido. E descarta a a conjuntura política que o circundava quando
rememora sua entrada na política, classificando como um “desejo pessoal ingênuo”,
conforme trecho abaixo:
Eu fui alçado a prefeito por um desejo pessoal, despertado
absolutamente de improviso de repente, sabe no afã? Desejo de
servir ao povo que morava lá e naquele ponto havia uma
ingenuidade política muito grande em mim. Eu não sou político,
então de repente, havia uma chance de um garoto filho de pessoas
muito simples, um pedreiro, uma dona de casa que chegou em
Bayeux moleque, 12 ou 13 anos, correndo pelas ruas da
cidade, ser prefeito da cidade, e eu cai numa equação
extremamente ingenua de despesa e receita. Eu pensei "Eu tenho
uma receita que vai vim e uma despesa". Então eu vou
equacionar, eu vou chegar para o povo e dizer assim: "Olha, eu
recebi 10, paguei 5 ficou 5". Vamos dividir o 5 com as pessoas, o
que é que vocês querem que eu faça?". Então eu fui meio que para
minha "ilha", era um livrinho que eu tinha na infância, era um
livrinho que fala de uma ilha em que tudo era perfeito, quando as
coisas eram divididas de forma igualitárias, e quando eu entrei,
fui eleito assim de forma muito rápida, eu fiz a campanha de
junho a outubro, fui eleito assim, uma rapidez absurda, eu vi que
as coisas não eram assim. Hoje eu acho que um homem sério
entra na política, mas dificilmente um homem serio permanece na
política porque o sistema o engole (Jota Júnior em entrevista à
autora no dia 17 de janeiro de 2014).
13
Pesquisa encomendada pelo Jornal da Paraíba ao Ispepe - Instituto de Pesq. Sociais Politicas e
Econômicas. http://www.informepb.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10903:jjunior-tem-76-de-rejeicao-em-sua-administracao-em-bayeux&catid=40:politica&Itemid=75
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O relato de Jota Júnior sobre a sua entrada na política reforça a costumeira
ojeriza pelo exercício político compartilhada por comunicadores/celebridades que como
ele ascendem da mídia para a política. É intrigante que a recusa simbólica do exercício
político não se evidencie na prática. Além de apoiar a entrada do irmão na política, Jota
Júnior, que tem duas herdeiras, indicou seu sobrinho, Jonatas Souza para substituí-lo
nas eleições de 2012. O candidato indicado não teve bom desempenho das pesquisas e
desistiu da candidatura. Essa desvinculação da sua ascensão com qualquer conjuntura
política preestabelecida o beneficia em um ambiente político marcado fortemente pelo
desencanto com a política tradicional. É intrigante também que seu retorno às telas
aconteça nas vésperas de um ano eleitoral.
A observação do papel político que apresentadores de programas populares
assumem em suas localidades aponta para a recorrente naturalização de seu papel como
um “defensor do povo” munido de bondade e qualidades determinantes – como a
solidariedade, a fidelidade - mas também como alguém distante das amarras políticas
tradicionais. Luis Felipe Miguel destaca que a construção de um mito político é
importante para as disputas políticas, pois mais do que uma palavra despolitizada,
conforme destaca Barthes (1987), “o mito político é um discurso antipolítico que se
quer politicamente eficaz” (Miguel, 1998, p.10). Essa rejeição dos procedimentos
políticos também caracteriza os programas populares sensacionalistas brasileiros, bem
como o caso em análise.
Jota Júnior também resgatou essa referência quando, em diversas ocasiões, como
a transcrita abaixo, utilizou-se do espaço da atração televisiva para defender-se de
acusações e críticas sugerindo a existência de uma conspiração contra ele e pedindo
orações em seu nome. Jota Júnior declarou em alguns episódios ser vítima de atentados
e leu ameaças enviadas por mensagens de SMS em ocasiões políticas, como a que
lançou o seu sobrinho como seu candidato à prefeitura. Em 28 de agosto de 2006, já
com dois anos de mandato, Jota Júnior conclamou os telespectadores a orarem por ele,
com o seguinte argumento:
Estou enfrentando um dos maiores bombardeios da minha vida. Pela
função que ocupo, vocês não têm como dimensionar a inveja, o ódio,
que eu tenho enfrentado. Se você gosta desse programa, peça a Deus
por mim. Sempre que recebo ameaças ou palavras duras, entrego nas
mãos de Deus. Não é fácil estar onde eu estou há oito anos [referentes à
sua atuação na televisão]. O pior é que as pessoas da nossa própria
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categoria ficam nos questionando. Preciso mais do que nunca hoje que
Deus me ajude a livrar desse vale da morte que as pessoas criam para
nos destruir (Transcrição, programa 28 de agosto de 2006, Blog Parem
as Máquinas da jornalista Cláudia Carvalho).
A mensagem a ser transmitida através de um mito deve, para ter alguma
possibilidade de eficácia, corresponder a certo código já inscrito em normas do
imaginário. Por isso, concordamos quando Luís Felipe Miguel argumenta que a
compreensão do fenômeno do mito político exige o estudo das condições de
receptividade, “condições que, sem dúvida nenhuma, são culturais – e que, como de
resto todo esse fenômeno complexo que pode ser chamado de imaginário coletivo,
sofre, nas sociedades contemporâneas, o impacto crescente dos meios de comunicação
de massa” (1998, p.11). Afinal, o mito carrega consigo um fluxo incessante de imagens,
fantasmas e de representações simbólicas (Girardet, 1987, p. 57), tal qual a mídia.
O processo de construção de uma dada esfera pública limitada (Góes, 2013) é
constituinte dessa relação de mistificação simbólica do papel que estes programas
podem exercer e se consolida na perspectiva de esvaziamento do Estado: por um lado,
pela enorme colaboração dada à ideia persistente na mídia brasileira de se promover a
condenação sem julgamento, além do linchamento público, e, por outro, pela identidade
cidadã apregoada por esta mesma mídia.
Apontamentos Finais
Destacamos, sobretudo, que o afastamento entre estes programas e entre o
comunicador que analisamos e a política tradicional se dá de modo discursivo, mas não
se efetiva na prática. Este aspecto é importante para percebermos que diferente de como
explicam sua ascensão política – reduzido na máxima “levados pelo povo” – o laços
que permitem a participação no jogo político não se estabelecem somente através da
relação entre comunicador e público. Outros elementos compõe esta relação e são
determinantes: o jogo partidário no qual o meio de comunicação em que trabalha se
insere, a arquitetura política da região e a recepção dos habitantes.
As práticas políticas do caso analisado reproduzem as amarras da política
tradicional, o que explica especialmente a adoção da unidade familiar como a base para
a arquitetura política que o comunicador mais tarde passará a engendrar. Como
destacamos, membros de sua família além de assumirem cargos comissionados e de
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confiança de sua gestão, gozaram da “transferência” do seu prestígio político para entrar
na política.
O contraste entre o exercício do político do apresentador nos microfones e diante
das câmeras com o exercício político da sua administração resulta da diferencia de
protocolos com os quais o novo exercício político passou a lidar (burocracia, disputa
entre poderes e entre as suas instâncias, atribuições do serviço público e o próprio
exercício da gestão pública).
A construção do perfil político destes profissionais também é atravessada pela
construção mitológica da sua imagem. Salienta-se neste ponto a força do sistema de
comunicação que o abriga para consolidar a sua imagem de modo positivo diante do
público. Neste processo se associam uma diversidade de elementos, entre os quais
destacamos a indissociabilidade entre a sua atuação na rádio pela manhã e na televisão
ao meio dia.
O trato diário com o público através dos telefonemas que recebia no estúdio de
rádio constitui aspecto basilar na sua ascensão política, especialmente no que se refere
na sua capacidade de diariamente identificação os interesses do seu público e mesmo
administrar as opiniões sobre a sociedade e mesmo sobre a sua gestão. De outro lado, a
televisão, a ilustração visual que possibilita e a possibilidade de comentários a cada
matéria, tornam as suas opiniões sempre conectadas com a “realidade” que os
telespectadores vêem através das notícias, também se constitui como um elemento
privilegiado. Destaca-se ainda outras ferramentas utilizadas pelo Sistema Correio de
Comunicação como os projeto sociais e mesmo as campanhas para o crescimento da sua
popularidade.
Por fim, acreditamos ser fundamental nos dedicarmos a compreensão deste
fenômeno, criar categorias que possam classificar estes personagens, destacando
diferenças históricas e principalmente da mediação política que desenvolvem.
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