Nota prévia
O presente artigo é uma versão resumida, para maior divulgação e apreensão das ideias principais, junto da Comunidade científica escrevente em Português, escrito em Maio de 2018.
Posteriormente, o presente escrito foi objecto de alterações. Tais aditamentos foram traçados, nas suas linhas gerais, na comunicação que proferi em 10 de Julho de 2018.
Essa comunicação é intitulada “Unidade ou diversidade da Língua Portuguesa, nos oito Estados lusógrafos?”.
Foi proferida no Colóquio “Unidade e diversidade da Língua Portuguesa”, realizado na Academia das Ciências de Lisboa (em 10 de Julho de 2018)
(vídeo no youtube em
https://www.youtube.com/watch?v=L-lD5K6r-bE).
Resumo:
No presente artigo, a teoria oficial do Estado Português, sobre os 280 milhões de "falantes"/escreventes de Português, acriticamente repetida desde os anos 30 e 40 do século XX, como justificação para a celebração de acordos ortográficos entre Portugal e o Brasil, é exposta e, subsequentemente refutada (
https://www.youtube.com/watch?v=L-lD5K6r-bE, a partir do minuto 14).
Parafraseando KARL POPPER, a melhor teoria "expulsa" as teorias menos conformes com a realidade.
Parafraseando EÇA DE QUEIROZ, numa célebre carta que escreveu, em polémica com PINHEIRO CHAGAS ("Brasil e Portugal", in "Notas Contemporâneas"), fomos grandes pelo que outrora fazia as Nações grandes - a força. Sejamos grandes pelo que hoje faz as nações grandes - a ideia.
Índice:
Introdução
I. Exposição da teoria tradicional, sobre a unidade da língua portuguesa, desde uma comunicação, depois editada em livro, de JÚLIO DANTAS (membro da Academia das Ciências de Lisboa); acriticamente repetida nos anos 30, 40 e 50, e até 2018.
II. Exposição da segunda posição, da nossa lavra.
III. Posição adoptada, refutando a teoria tradicional, devido a:
1) Razões linguísticas, sobejamente conhecidas pelos Linguistas sérios (e
Esta parte encontra-se omitida no presente artigo, uma vez que tem pouco de inovador em relação ao que os Linguistas sérios, designadamente ANTÓNIO EMILIANO, aduzem.
Apenas acrescentei um assunto: as palavras inventadas pelo AO90: “receção” e “conceção”, inexistentes na variante do Português do Brasil (e cognatos: “recepcionar”; recorde-se que, a partir da conjugação de um verbo, resultam 68 formas flexionadas), e, a partir das “aplicações” do AO90, centenas de lemas inventados, como “perce(p)ção”, “espetador” por “espeCtador”
Consultar IVO MIGUEL BARROSO, As palavras inventadas pelo “Acordo Ortográfico” de 1990, em
http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765130394e4c7a457951304e44536b51765247396a6457316c626e52766330466a64476c32615752685a4756446232317063334e68627939695954493559325a684d4330344d4746684c54526b5a545974596d5531596930774d4441315a5751794e6a52685a6d59756347526d&fich=ba29cfa0-80aa-4de6-be5b-0005ed264aff.pdf&Inline=true .
Artigo sucinto em Palavras inventadas pelo Acordo Ortográfico de 1990, in Público “online” [publicado sem notas de rodapé], 5 de Maio de 2017,
https://www.publico.pt/2017/04/05/culturaipsilon/noticia/palavras-inventadas-pelo-acordoortografico1990-1767741 .
Publicação integral anterior, com o título Palavras inventadas pelo “Acordo Ortográfico” de 1990, in Pórtico da Língua Portuguesa, disponível para descarga a partir de
http://porticodalinguaportuguesa.pt/index.php/acordoortografico/artigos-ao/item/palavras-inventadas-pelo-acordo-ortografico-de-1990 ;
também, com as imagens da Página “Tradutores contra o Acordo Ortográfico”: Palavras inventadas pelo AO90 I, 8 de Abril de 2017, in Jornal Tornado,
http://www.jornaltornado.pt/palavrasinventadas-pelo-acordo-ortografico1990-i/ ; Palavras inventadas pelo AO90 II, in Jornal Tornado, 12 de Abril de 2017,
http://www.jornaltornado.pt/palavras-inventadas-pelo-ao90-ii/ O que releva para a Ortografia, como uma das componentes da escrituralidade, é o número de escreventes, não o número de "falantes"(oralidade "versus" escrituralidade).
O Inglês tem 18 variantes (sem prejuízo de nem todas serem ao nível da ortografia, mas antes nos domínios lexical, morfológico, semântico,...)
Este vídeo demonstra as diferenças fonéticas e fonológicas (prolação dos sons) entre o Inglês de Inglaterra (dentro do Reino Unido) e uma variante do Inglês norte-americano:
"American vs. British English - Vowel Sounds - Pronunciation differences":
https://www.youtube.com/watch?v=LIZ78RwhSPc A "unidade da língua portuguesa" quebrou-se há séculos (ANTÓNIO EMILIANO, in Apologia do desacordo ortográfico, Babel, Lisboa, 2010).
Não existe "Lusofonia", mas antes diversas lusofonias e lusografias.
Para o comprovar, refira-se: mesmo no Brasil, que fala Português, existem diversas lusofonias, como este vídeo demonstra:
"SOTAQUES DO BRASIL - Jornal Hoje - desvenda as diferentes formas de falar do brasileiro".
Este vídeo demonstra as subvariantes dentro da variante do Português no Brasil, em termos fonológicos (de fonética), que são discrepantes nas várias regiões do Brasil.
Ora, a Base IV, n.º 1, do Acordo Ortográfico de 1990 remete para as "pronúncias cultas da língua". Trata-se de um critério discriminatório, que viola o princípio constitucional da igualdade.
https://www.youtube.com/watch?v=uSzZ5vl45hI(Nota: a reportagem mistura, de vez em quando, a diferença de pronunciação de uma palavra com diferenças de vocabulário (léxico); o que não nos parece correcto, do ponto de vista metodológico).
2) A parte mais inovadora da comunicação (
https://www.youtube.com/watch?v=L-lD5K6r-bE, a partir do minuto 14):
refutação da tese da "unidade da língua portuguesa", composta por 280 milhões de "falantes".
O "Atlas" da Língua Portuguesa de 2016 (patrocinado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros) inculca uma estatística que não se baseia na ciência da Estatística:
bastaria que um Estado tivesse o Português como língua oficial, para automaticamente os milhões serem contados como "falantes de Português".
Ora, tal afigura-se incorrecto por três razões:
i) O analfabetismo existente (no Brasil, 10,6%, em 2016);
ii) O plurilinguismo nos PALOP's e em Timor-Leste; o Português uma língua oficial do Estado-poder, mas não da maioria da população, que tem línguas maternas diversas do Português (tendo como contexto a incipiente colonização portuguesa, quando comparada com as de outros Países colonizadores).
As consequências que daí decorrem são: a dificuldade de aprender o Português, quando, na maioria dos PALOP's e de Timor-Leste, não é a língua materna. Amiúde, tal gera abandono escolar e analfabetismo.
O caso de Angola e respectiva legislação, de implementação das línguas nacionais no sistema de ensino, é analisado nas pgs. 36 e seguintes.
iii) O analfabetismo funcional e iliteracia funcional (existentes mesmo em Portugal).
Veja-se o caso do Brasil: tem 68% de analfabetismo funcional (acrescido a haver 7% de analfabetismo puro);
tem problemas gravíssimos no sistema educativo: mais de 30% dos Professores não compra um único livro por ano.
Basta consultar as notícias dos Jornais do Brasil.