A AGENDA 2030 PARA O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL DA ONU E SEUS ATORES: O IMPACTO DO
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NAS RELAÇÕES
INTERNACIONAIS
Francisco Toniolo de Carvalho1
Resumo
O presente artigo visa apresentar o papel dos atores locais nas relações internacionais dentro do
contexto de concretização dos 17 objetivos elencados na Agenda 2030 para o Desenvolvimento
Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Estes são 17 objetivos estão elencados ao
longo de um documento formal ratificado pelos 193 Estados membros da ONU. Para isso, o artigo
apresenta um breve histórico da construção do conceito de desenvolvimento sustentável bem como
uma análise da evolução do conceito de atores internacionais nas principais teorias das relações
internacionais com o objetivo de evidenciar qual a função dos atores locais no plano das relações
internacionais através do seu papel de implementadores dos objetivos da Agenda 2030. A metodologia
utilizada enfatizou a revisão bibliográfica e a análise documental, em especial da Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. A conclusão mostra que a Agenda 2030 eleva o papel das cidades como
atores das relações internacionais.
Palavras-chave: relações internacionais, atores, Agenda 2030.
Abstract
This article aims to present the role of local actors in international relations within the context of
achieving the 17 goals listed in the 2030 Agenda for Sustainable Development of the United Nations
(UN). Those 17 goals are listed over a formal document ratified by the 193 States members of the UN.
Persuing this purpose, this article presents a brief history of the construction of the sustainable
development concept as well as an analysis of the evolution of the international actors concept in the
main theories of international relations with the objective of highlighting the role of local actors in the
field of international relations through their role as implementers of the 2030 Agenda goals. The
methodology emphasized literature review and document analysis, in particular the 2030 Agenda for
Sustainable Development. Our conclusion shows that the 2030 Agenda raises the role of cities as
actors in international relations.
Key-words: international relations, players, 2030 Agenda.
1
Mestrando em Direito, Políticas Públicas e Sustentabilidade pela Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro – UNIRIO.
1
Introdução
O Desenvolvimento Sustentável é assunto que atravessa anos de embates e discussões.
Trata-se de uma consequência da exploração predatória dos recursos naturais do planeta, que
remonta o Século XVIII. Em virtude da situação crítica a que se chegou o tema passou a ser
debatido em conferências periódicas realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Estas conferências buscam regular a cooperação internacional para manutenção de um planeta
saudável para as futuras gerações. Em 2015 foi firmada entre os 193 Estados membros da
ONU a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com foco na cooperação para o
seu alcance. Ela elenca 17 objetivos e 169 metas, outorgando uma maior importância e foco
ao âmbito local (o das cidades) – pois é aonde os reflexos negativos da insustentabilidade são
sentidos e onde as ações concretas devem ser adotadas.
A Agenda 2030 trata-se de documento internacional ratificado por Estados soberanos,
mas prevê a implantação de ações e políticas concretas através de atores domésticos no
cenário interno. Neste contexto, quais seriam os atores internacionais elencados pela Agenda
2030? Este documento apenas eleva a relevância internacional dos atores locais ou os insere
nas relações internacionais? Este artigo pretende analisar a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável buscando destacar quem são seus atores de âmago
internacional, de acordo com algumas das principais teorias acerca das relações
internacionais. Busca-se com isso mostrar qual o papel concedido aos atores domésticos na
Agenda 2030, um documento firmado por Estados soberanos – considerados os principais
atores nas relações internacionais. Com isso, procuraremos apresentar a relevância outorgada
aos atores locais através da atribuição que lhes foi alcançada pela Agenda 2030 de
concretizarem os 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável.
O artigo encontra-se estruturado da seguinte forma: sua primeira parte apresentará
brevemente a história do desenvolvimento sustentável e dos tratados e acordos internacionais
2
sobre o tema. A segunda parte analisa os atores internacionais em algumas das teorias
clássicas e contemporâneas das relações internacionais. A terceira parte faz uma análise da
Agenda 2030 e seus atores, e se eles podem ou não ser considerados atores no nível
internacional. Ao final, nas conclusões, apresenta-se o entendimento advindo do estudo
realizado e demonstra-se que a implementação de uma agenda internacional com foco no
desenvolvimento sustentável dá suporte para o incremento do papel das cidades, atualmente
apenas consideradas em âmbito local e não internacional, como participantes das relações
internacionais.
Evolução histórica da Agenda 2030: estudando o Desenvolvimento Sustentável
O caminho desenvolvimentista escolhido pela civilização é uma via de mão única em
direção ao esgotamento das fontes de matéria prima. Foi com a revolução industrial, iniciada
pelo Reino Unido no Século XVIII, que o modelo de produção baseado na utilização de
matérias primas não renováveis teve seu apogeu, sendo a forma de produção utilizada durante
quase três séculos. A natureza foi tratada como subalterna ao homem, servindo-lhe como
meios para atingir seus fins maiores inaugurados pela era do capitalismo: os lucros
(CORRÊA, 2006, p. 93).
Após a segunda guerra mundial, iniciou-se uma discussão acerca de um novo conceito
de desenvolvimento que não abrangesse apenas questões de crescimento econômico, mas
também de bem estar social, ambiental e político. Sachs (apud MATOS e ROVELA, 2010, p.
3) aduz que a primeira geração de economistas desenvolvimentistas inspirou-se na cultura
dominante na época de priorizar o pleno emprego, o Estado de bem-estar social, o
planejamento e intervenção econômicos para correção das falhas sociais do mercado.
Na virada da década de 70 a discussão acerca da necessidade de preservação dos
recursos ambientais ganhou força. Foi na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente
3
Humano, em 1972, que se concluiu sobre a necessidade de uma nova conceituação de
desenvolvimento na qual inúmeras questões de alta complexidade deveriam estar envolvidas
(NOVAES, 2003, p. 323). Essa tarefa foi delegada a uma comissão, presidida por Gro
Brundtland, que em 1987 elaborou e publicou o relatório “Nosso Futuro Comum”, documento
que visou, entre outros temas, conceituar um novo modelo de desenvolvimento, o
“Desenvolvimento Sustentável”. Segundo Novaes (2003, p. 324), esse era um documento:
[...] que já apontava para a grande questão da Humanidade hoje – reconhecer que o
planeta é finito, não tem recursos infindáveis; por isso, a Humanidade precisa adotar
formatos de viver – padrões de produção e consumo – sustentáveis, que não
consumam mais recursos do que a biosfera terrestre é capaz de repor; não
comprometam o meio ambiente, os muitos biomas do planeta, os seres que neles
vivem, as cadeias alimentares e reprodutivas; não degradem os seres humanos; além
disso, os padrões de viver não poderiam sacrificar recursos e comprometer os
direitos das futuras gerações.
O relatório “Nosso Futuro Comum” conceituou desenvolvimento sustentável como um
“conjunto de processos e atitudes que atende às necessidades presentes sem comprometer a
possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam suas próprias necessidades” (ONU, 1991,
p. 46). O ponto crucial desta definição é a interdependência entre a conciliação dos direitos
das presentes e das futuras gerações ao desenvolvimento socioeconômico e à proteção ao
meio ambiente (FRIAS, 2011, p.373).
A partir da década de 90 o conceito de desenvolvimento sustentável tornou-se um
estandarte das políticas ambientais, voltado para a regularização de normas de padrões de
produção e de consumo, e da qualidade dos produtos (CANELAS, 2004). Foi Dudley Seers,
no período pós-segunda guerra mundial, o primeiro autor a apresenta uma definição de
desenvolvimento que se baseava na condição humana e não apenas econômica do país. Em
1995 os economistas Mahbub Ul Haq e Amartya Sen desenvolveram o Índice de
Desenvolvimento Humano – IDH, como um contraponto ao Produto Interno Bruto – PIB,
4
definindo que o desenvolvimento deve estar voltado também para condições sociais, e não
somente para condições econômicas (MATOS e ROVELLA, 2010, p. 4).
Vinte anos após o início da longa trajetória em busca do desenvolvimento sustentável
uma nova conferência da ONU foi realizada. Foi em 1992 na cidade do Rio de Janeiro,
conhecida como Cúpula da Terra, Eco92 ou Rio92. Nela elaborou-se a Agenda 21, programa
que estabeleceu ações para que os governos participantes abandonassem o modelo
insustentável de desenvolvimento adotado até o momento, e passassem a buscar um
crescimento focado na sustentabilidade. Cinco anos depois (1997) uma nova Cúpula da Terra
viria a ser realizada para revisar e avaliar o andamento da Agenda 21.2
Após a realização da Rio92, a ONU (em 1995), através de seu presidente geral
Boutros Boutros-Ghali, publicou o documento “An agenda for development”3, ressaltando
cinco dimensões para o desenvolvimento, que assim são descritas por Boisier (apud MATOS
e ROVELLA, 2010, p. 4):
1) Paz como pilar: A aproximação tradicional ao desenvolvimento pressupõe que
este ocorre sob circunstâncias da paz. O desenvolvimento não pode prosseguir
facilmente em sociedades onde os interesses militares estão no centro da vida;
2) A economia como o motor do progresso: O crescimento econômico é o motor do
desenvolvimento. Acelerar a taxa do crescimento econômico é uma condição para
expandir a base de recursos econômicos, tecnológicos e de transformação social não
é suficiente, entretanto, perseguir o crescimento econômico por si só;
3) O ambiente como uma base para a sustentabilidade. O desenvolvimento e o
ambiente não são conceitos separados, nem pode haver sucesso em um, sem que o
mesmo ocorre com o outro;
4) Justiça como um pilar da sociedade: O desenvolvimento não ocorre em um vácuo,
nem é construído em cima de uma fundação abstrata. O desenvolvimento ocorre
dentro de um contexto social específico e em resposta às circunstâncias sociais
específicas… O povo é o principal recurso de um país e seu bem estar define o
desenvolvimento;
5) Democracia na governança: A ligação entre o desenvolvimento e a democracia é
intuitiva, por isso seu reflexo é difícil de elucidar. No contexto do desenvolvimento,
a boa governança tem diversos reflexos. Entre seus projetos deve estar a perseguição
de uma estratégia nacional voltada para o desenvolvimento. Projetos que assegurem
a capacidade, a confiabilidade e a integridade das instituições do núcleo do estado
moderno.
2
Conforme histórico “A ONU e o meio ambiente”. Disponível em: < https://nacoesunidas.org/acao/meio-
ambiente/>. Acesso em: 19/06/2017.
3
“Uma agenda para o desenvolvimento” (tradução livre).
5
É a partir deste momento que o desenvolvimento se concretiza como conceito dotado
de dimensões política, social e ambiental, se tornando complexo e de difícil concretização.
Com base nessa nova conceituação, nota-se que atualmente é possível se atingir crescimento
econômico sem necessariamente se garantir real desenvolvimento, podendo haver criação de
riqueza sem que haja sua consequente distribuição e melhora na qualidade de vida da
população em geral (BOISIER apud MATOS e ROVELLA, 2010, p. 5).
Ao longo dos anos novas conferências sobre a temática do desenvolvimento
sustentável foram realizadas, destacando-se as seguintes: a segunda conferência da ONU
sobre assentamentos humanos (1999), a sessão especial da Assembleia Geral sobre pequenos
Estados insulares em desenvolvimento (1999), a Cúpula do Milênio e seus Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (2000), a Rio+10 (Joanesburgo, 2002), a Reunião Mundial
(2005) e a Rio+20 (2012), na qual se reavaliou e repensou o desenvolvimento mundial e
elaborou-se o documento “O Futuro que Queremos” (no qual se busca concretizar o
desenvolvimento sustentável no cenário global). Recentemente, na cidade de Nova Iorque, as
questões acerca do desenvolvimento sustentável foram novamente discutidas, quando ocorreu
a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, que culminou na adoção da Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável (2015).4
A Agenda 2030 trata-se de um plano de ações debatido internacionalmente pelos
Estados com o foco de concretizar 17 objetivos e 169 metas voltados para efetividade do
desenvolvimento sustentável econômico, social e ambiental ao longo do período 2016-2030
(ONU BR, 2015). Ela é o resultado de inúmeras negociações dos Estados-membros da ONU,
e tem como signatários todos os 193 países pertencentes à organização. No Brasil, foi criado
um Grupo de Trabalho Interministerial para concretizar seus objetivos e metas, que envolve o
4
Conforme histórico “A ONU e o meio ambiente”. Disponível em: < https://nacoesunidas.org/acao/meio-
ambiente/>. Acesso em 19/06/2017.
6
poder Executivo federal, estados, municípios, sociedade civil, movimentos sociais, setor
privado e academia (MRE, 2016).
Os 17 objetivos que a agenda busca consolidar são (MRE, 2016):
Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas suas formas, em todos os lugares.
Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da
nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em
toda as idades.
Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover
oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e
meninas.
Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e o saneamento
para todos.
Objetivo 7: Assegurar a todos o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço
acessível à energia.
Objetivo 8: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável,
emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.
Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização
inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
Objetivo 11: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros,
resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentável.
Objetivo 13: Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus
impactos.
Objetivo 14: Conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos
marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas
terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e
reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições
eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global
para o desenvolvimento sustentável.
Observa-se nos objetivos transcritos, bem como nas metas estabelecidas pelo
documento analisado, inúmeras repetições da expressão “para todos” ao longo do seu corpo. É
necessário definir quem são “todos” no cenário de desenvolvimento sustentável internacional,
qual seu peso e sua importância.
Os atores internacionais: debates teóricos essências
7
As relações internacionais tratam-se de uma criação histórica, que surge da análise da
existência e relações entre Estados no cenário global ao longo do tempo. Em sua história,
desenvolveram-se teorias para explicar as relações no mundo em que vivemos, alternando
entre diversas visões de atores no cenário internacional, de acordo com as relações
dominantes em cada época e contexto. Esther Barbé leciona que “la condición de actor está
ligada a necesidades concretas y temporales (evolución de la agenda internacional)5”
(BARBÉ, 2001, p. 117), destacando que esta temporalidade influencia diretamente em quem
será considerado ator nessas relações.
O prelúdio da disciplina das relações internacionais ocorreu com o surgimento da
teoria realista, que recebeu esta designação por analisar tais relações de acordo com sua
estrutura na realidade mundial, ou seja: as relações no mundo como ele é, em oposição à ideia
de “dever ser” no cenário mundial (KAHLER, 1997, p. 26). Nogueira e Messari (2005, p.21-
24) apresentam como principais conceitos utilizados pelo Realismo as ideias de centralidade
dos Estados, poder, autoajuda e estado de natureza. Os teóricos realistas apresentam um
cenário mundial de anarquia, no qual não existe uma autoridade legítima e soberana conferida
de poder de coerção para regular as relações entre Estados e que garanta o direito à
sobrevivência de todos os atores internacionais, onde impera o medo de não sobrevivência.
Os atores internacionais desta teoria são os Estados, que buscam maximizar seu poder
e segurança. Em decorrência desta existência de um único tipo de ator no cenário
internacional há uma rígida distinção entre esfera doméstica e internacional. Na primeira o
progresso, a ordem e a paz são possíveis, mas são indiferentes e não operam na esfera
internacional. Já na segunda impera a anarquia e a desordem, sendo a guerra um pressuposto
básico. Portanto, o poder é o aspecto central da teoria, e a insegurança internacional dificulta
a cooperação entre Estados (HERZ, 2015). No caso, tanto os indivíduos (políticos,
5
“A condição de ator está ligada à necessidades concretas e temporais (de evolução da agenda internacional)”
(tradução livre)
8
diplomatas, burocratas, militares) como os grupos de indivíduos (burocracias e administrações
públicas, entidades políticas, trabalhistas ou empresarias) não seriam atores no campo das
relações internacionais, pois quando agem estão atuando em prol dos Estados. Analisam-se as
relações entre Estados, os atores unos e centrais, com função precípua de manutenção da
segurança – seja interna ou externa – dos seus cidadãos. As relações domésticas, que não
possuem influência internacional, são descartadas – construindo o conceito de “Estado como
caixa preta” – pois o âmbito interno não influencia as relações internacionais (NOGUEIRA e
MESSARI, 2005, p. 24-25).
A crescente interdependência das sociedades pós Segunda Guerra Mundial faz com
que os teóricos questionem as premissas do Realismo. O pensamento liberal, que adota os
pressupostos da racionalidade como característica da humanidade e da crença no progresso,
indica que é possível transcender a política de poder e o caráter endêmico da guerra. O
Liberalismo dá ênfase a uma grande variedade de associações com diferentes escolas de
pensamentos (como direito, economia e política), trazendo uma ampla gama de proposições
sobre a natureza das relações internacionais (HERZ, 2015). Trata-se, na verdade, de uma
teoria holística, que engloba diversas áreas do conhecimento. Ela estuda o local do indivíduo
na sociedade e sua liberdade, analisando desde a economia até o lugar do Estado na sociedade
internacional. É uma tradição de pensamento focada no indivíduo, preocupando-se na sua
relação com a sociedade e o governo em âmbito doméstico. Temos, neste momento, uma
diminuição da força Estatal, pois passa a ser visto como um mal necessário e ameaça
potencial. Enquanto necessário para a segurança interna e externa, passa a ser visto com
desconfiança pelo possível abuso de poder, que pode ser exercido tiranicamente dentro de
suas fronteiras, e buscando de forma exagerada externamente, causando a guerra
(NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p.58-60).
9
Os liberalistas introduzem três grandes conceitos que vêm alterar a perspectiva da
anarquia internacional realista, dos quais se inicia a inserção de outros atores no contexto
internacional que não apenas os Estados. São eles: o livre comércio, a democracia e as
instituições internacionais (NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 62).
A realidade da política internacional seria análoga à realidade de mercado, na qual
atores buscam maximizar utilidades em um contexto competitivo. O aumento do comércio
internacional favoreceria a paz, os regimes democráticos ou republicanos propiciariam uma
relação pacífica entre Estados e a criação de instituições internacionais poderia transformar as
relações entre os atores do sistema internacional (HERZ, 2015). O livre-comércio traz uma
interdependência econômica entre Estados, aumentando a reciprocidade entre seus
relacionamentos, o que concretiza a paz pela junção de interesses comuns. O comércio
internacional é inserido no contexto das relações internacionais como nova forma de interação
entre Estados que não apenas disputas pelo poder, e assim surgem novos atores no cenário
mundial (como aqueles agentes que o praticam) que podem direta ou indiretamente
influenciar sua rotina e concretização. A questão da interdependência ganha força com o
avanço da tecnologia nas relações entre Estados – sejam comerciais, culturais ou ideológicas,
e cada vez mais os acontecimentos no âmago doméstico de um Estado afeta diretamente outro
(NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 62-63, 81).
Da democracia advém a ideia de que Estados democráticos tendem a manter relações
pacíficas entre si, o que refletiria nas relações internacionais concretizando a paz. Isso porque
nas repúblicas, onde se pratica a democracia, as decisões levariam em conta os interesses
coletivos, e iniciativas que colocassem em risco os cidadãos e seu patrimônio deveriam ser
sujeitas a uma ampla discussão, e dificilmente seriam aprovadas (trazendo maior prudência ao
governo). Sociedades democráticas tenderiam a resolver seus conflitos por meio do direito
internacional, e as similaridades de compromissos com instituições e regras entre Estados
10
reduziria a possibilidade de conflito armado, similaridade que inclusive fomenta a interação
Estatal. De tais premissas decorre a construção liberal de que a opinião pública é de suma
importância na definição de uma política externa racional e moderada, pois ela baliza a
atuação Estatal em matérias relevantes. Por fim, uma opinião pública democrática
amplamente difundida auxilia no cenário internacional por aumentar a confiança dos atores
externos, pois Estados tenderiam a ter uma visão clara e transparente do que ocorre na política
doméstica dos demais (NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 63-66). Logo, traz-se para o
cenário internacional uma paz decorrente de decisões do âmbito doméstico de cada Estado
que, devido à forma republicana e democrática de governo, considera os interesses de seus
cidadãos.
As instituições internacionais surgem dentro de um contexto de redução de crises e
conflitos internacionais. Tais instituições são pensadas inicialmente no âmbito do Direito das
Nações, que buscava regulamentar relações entre Estados soberanos e entre indivíduos e
Estados, para a formação de uma sociedade internacional – focada na cooperação. Elas advêm
da vontade dos Estados de estabelecer regras de convivência baseadas no consenso. As
instituições internacionais – ou instâncias supranacionais – auxiliariam a criar ordem na
anarquia, ou seja, uma estabilidade e pacificação na convivência entre Estados (NOGUEIRA
e MESSARI, 2005, p. 67-68). As organizações internacionais seriam uma das fontes de ordem
e cooperação do sistema. A presença de instituições vem favorecer a cooperação mútua entre
Estados, estabelecendo regras, coordenando processos e acordos internacionais e garantindo a
colaboração e ação coletiva. As negociações na esfera doméstica passam a ter reflexo no
cenário internacional, e o processo de transnacionalização apresenta novos atores nas RI,
como as empresas transnacionais, as organizações não governamentais de caráter
internacional e as próprias organizações internacionais interestatais. Governo e grupos de
interesses passam a tomar decisões que afetam a operação do Estado em nível internacional.
11
Esta percepção de que as instituições internacionais poderiam mudar as relações entre Estados
é a grande virada de paradigma entre Liberalismo e Realismo. (HERZ, 2015).
Ao longo de sua evolução as instituições passaram a assumir um papel central no
campo das relações internacionais por tomarem decisões em matérias relevantes, como na
Corte Internacional de Arbitragem, na Liga das Nações e na ONU. Sua importância se
constrói através da coordenação internacional que realizam, após a adesão de Estados
membros que discutirão dentro das instituições assuntos relevantes de interesses comuns, e
respeitarão, dentro do campo de funcionamento e atuação da instituição, as decisões tomadas.
Por estes motivos que elas passam a ser consideradas novos atores no âmbito internacional.
O Liberalismo traz então novos atores, além dos Estados, para o campo das relações
internacionais: as instituições internacionais, as empresas transnacionais e a sociedade civil,
inclusive o indivíduo – pois em muitos casos a sua tomada de decisão tem maior relevância a
decisão Estatal. Estes novos personagens atuam em uma relação de interdependência
complexa, onde a tomada de decisão perpassa por processo que abrange a todos, posto que
tais decisões afetam-nos direta ou indiretamente. Ainda assim, o Estado se mantém como o
ator de maior relevância, mas as instituições ganham um papel de destaque no cenário
mundial pela sua atuação de congregar Estados e auxiliar na legitimação de uma ordem
mundial (NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 81-82, 95-98). Robert Keohane e Joseph Nye
apresentam a ideia de “interdependência complexa” como um cenário de interação entre
diversos atores dotado das seguintes características: múltiplos canais de conexão de
sociedades; agenda de relações interestatais consistente de múltiplos interesses, não apenas
organizados pela hierarquia de poder; a força militar não é utilizada pelos governos contra
outros governos ou regiões (KEOHANE , 2000, p. 77-78).
Já o Marxismo é uma teoria que parte de premissas sociais e econômicas, não se
dedicando diretamente às relações internacionais. Todavia, sua contribuição foi de grande
12
valia. Ao analisar a sociedade mundial sob as premissas do capitalismo, o Marxismo traz ao
cenário mundial como atores os Estados, as classes sociais e as empresas capitalistas –
multinacionais ou transnacionais. Eventuais conflitos no sistema internacional seriam
decorrentes das lutas de classes – pedra fundamental de análise do mundo por esta teoria –
entre burguesia e proletariado, e da expansão e desenvolvimento dos interesses capitalistas
(NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 108). A compreensão das instituições e do sistema
internacional advém do capitalismo e do processo de acumulação global, da luta de classes e
interesse das elites e das potências capitalistas em manter os sistemas de dominação de
potências imperialistas e Estados subdesenvolvidos. A dominação toma forma no conflito
entre Estados, encontrando-se também dentro dos mesmos. A anarquia proposta pelos
realistas não é inerente do cenário internacional, mas é o resultado da produção capitalista e
da dominação do imperialismo (HERZ, 2015).
As elites globalizantes assumem papel de relevância na estruturação da economia
política global. Surgem então os conceitos de hegemonia e de potência hegemônica, que
envolvem coerção (poder) e consenso. Nesta teoria o consenso é importante, pois é através
dele que as partes dominadas aceitam a dominação. Ele é construído pelos dominantes, e
replicado através da sociedade civil, envolvendo temas cruciais. Este consenso passa a ser
aceito pelas partes dominadas, afetando diretamente suas aspirações, interesses econômicos e
particulares, sendo útil para uma manutenção de status quo pelas potências capitalistas
(HERZ, 2015).
Esta teoria destaca como pontos políticos fundamentais a organização das classes
trabalhadoras nacionais para conquista do poder político, a solidariedade internacional nas
lutas dos trabalhadores e o desenvolvimento das classes trabalhadoras na política
internacional, demonstrando a inclusão do proletariado – através das associações – no rol de
atores de nível internacional. A burguesia já era uma classe internacional, pois o capital
13
internacional encontrava-se em todos os lugares, através das empresas multinacionais. Esta
expansão mundial do capital monopolista – denominada imperialismo – causaria a
internacionalização das relações sociais, de modos de produção capitalista e da luta de classes
(NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 108-109, 114-115). Na teoria marxista as organizações
internacionais ganham destaque no seu papel de reforçar a manutenção do modo de produção
e exploração capitalista, e de consolidação do poder com as mesmas potências internacionais
(HERZ, 2015).
Advém então a Teoria Crítica, a qual analisa profundamente o neo-realismo.
Extrapolando a relação Estatal de poder, ela estuda a formação histórica do Estado e traz para
discussão questões antes esquecidas ou consideradas coadjuvantes, como a hegemonia, a
emancipação, a desigualdade, o meio ambiente, a centralidade dos Estados nas relações
internacionais, a integração econômica e política mundial, uma análise ética internacional, a
sociedade civil global, e outros temas relevantes. Os atores internacionais seriam aqueles que
estão dentro do Estado e influenciam sua tomada de decisão política. A apreciação realizada
recai sobre todas as questões investigadas nos campos internacionais, fazendo com que os
atores surjam constantemente, de acordo com o tema e das questões em análise, e da tomada
de decisão (por exemplo: imigrantes, mercado de trabalho, questões sociais e econômicas,
questões ambientais, etc.). Esta teoria utiliza-se em parte do Marxismo para sua construção,
reformulando dois pontos que lhe são fundamentais: o primeiro é o reconhecimento de que a
razão é limitada ante as relações sociais complexas e é necessário criticar-se as limitações das
teorias da sociedade; o segundo trata da importância dos processos de aprendizado e produção
de conhecimento para análise dos conflitos e contradições sociais. A teoria percebe as
relações internacionais não apenas como a relação entre Estados, que continua de grande
importância, mas sim como uma consequência das relações da sociedade civil, ampliando a
análise internacional que passa a englobar a ação transnacional de parcela da sociedade civil
14
que tem organização e força para atuar no cenário internacional (NOGUEIRA e MESSARI,
2005, p.132-133, 136, 147).
A Teoria Crítica realiza uma profunda análise das bases das relações internacionais –
de caráter parcial e normativo – construindo suas premissas e seus estudos através do
Marxismo, mas também de novos temas e os novos debates para além do capitalismo, da luta
de classes, da dominação e do local dos Estados em uma ordem internacional imperialista.
Observa-se que a gama de atores internacionais se amplia, e as instituições voltam a ser
importantes. A forte crítica realizada ao neo-realismo questiona o papel do Estado nas
relações internacionais e traz à tona estes novos atores, frutos de uma crítica à construção do
Estado. Estes não são apenas atores estáticos, mas dinâmicos, pois fazem parte da evolução e
do processo histórico formador de uma realidade política Estatal decorrente de interações
humanas e sociais (NOGUEIRA e MESSARI, 2005, p. 150-151).
Agenda 2030: teorias e atores contemporâneos
As teorias clássicas das relações internacionais reconheciam como atores apenas os
Estados soberanos, posto que, em um contexto anárquico, apenas eles que possuíam poder
para interagir no plano internacional. Esta situação não mais perdura. A evolução histórica da
disciplina nos apresenta um crescimento do número de atores e aumento da relevância do
papel das organizações internacionais ao longo de toda sua história, em virtude da realidade
complexa do cenário global. Seja organizando a anarquia, seja organizando a cooperação
entre atores para vantagens mútuas e minimização de conflitos (BARBÉ, 2001, p. 167), as
organizações internacionais ampliaram sua importância especialmente pelo processo de
organização internacional – do qual se tornam o marco representativo (CLAUDE apud
BARBÉ, 2001, p. 151). As organizações internacionais possuem características que as
distinguem dos demais atores internacionais contemporâneos: caráter interestatal, base
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voluntária, órgãos permanentes, vontade autônoma, competências próprias e cooperação entre
os membros para satisfação de interesses comuns (RIDRUEJO apud BARBÉ, 2001, p. 153).
O caráter global das organizações internacionais aumentou a interdependência estatal, e
auxiliou os países centrais – as chamadas “potências internacionais” – a melhorar seus níveis
de bem estar e segurança. Com relação aos países periféricos, a proliferação de organizações
internacionais entre eles também os auxiliou no desenvolvimento da paz e do bem estar
(BARBÉ, 2001, p. 170).
No momento atual, sem sombra de dúvidas a maior das organizações internacionais
em termos de participação é a ONU, da qual fazem parte 193 países. Dentro desta organização
foi formalizada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, ratificada por todos os
seus Estados membros. Tal Agenda prevê a colaboração entre distintos atores para a
implantação de seus objetivos e metas. São eles: os governos, a academia, o setor empresarial,
os cidadãos e a sociedade civil (ONU-BR, 2015). Trata-se de uma “agenda do povo, pelo
povo e para o povo” (MRE, 2016).
A qualidade de ator no cenário internacional decorre da natureza da unidade analisada,
e de sua capacidade e habilidade em cumprir as funções e objetivos que lhe são propostos
dentro do sistema internacional, possuindo capacidade de mobilizar recursos e exercer
influência sobre outros atores no sistema, e gozando de certa autonomia. Portanto, são
condições para ser ator internacional: capacidade, habilidade e autonomia. Um ator
internacional possui três características: realiza atividades continuadas e significativas, de
impacto contínuo no sistema; é levado em consideração pelos elaboradores de política
exterior e tem impacto na sua formação; tem autonomia e liberdade na tomada de decisão
(BARBÉ, 2001, p. 117-118).
Toda autoridade, todo organismo, todo grupo e toda pessoa capaz de influenciar o
cenário internacional será qualificada como ator internacional. Marcel Merle (apud BARBÉ,
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2001, p.119) considera que existem três tipos de atores: os Estados, as organizações
interestatais ou intergovernamentais e as forças transnacionais, desde que preencham os
requisitos para serem atores. Esther Barbé (2001, p. 121) considera como atores
internacionais: Estados, organizações intergovernamentais – denominadas por ela como
organizações internacionais – e forças transnacionais. Já Richard Mansbach (apud BARBÉ,
2001, p. 120) apresenta seis atores, três públicos e três privados: atores governamentais
interestatais (ex.: Organização dos Estados Americanos – OEA), atores não governamentais
interestatais (ex.: multinacionais, atores que realizam atividade internacional, mas não
representam governos), Estados, atores governamentais não centrais (governos locais,
municípios e estados), atores interestatais não governamentais (Ex.: partidos políticos,
organizações filantrópicas, que tenham relações com atores internacionais, mas à margem do
governo) e indivíduo (com influência internacional).
Analisando criticamente os atores elencados pela Agenda 2030, de acordo com as
matrizes teóricas da disciplina, podemos observar que, em virtude da realidade mundial
complexa em que o cenário internacional se encontra, o documento optou por incluir o maior
número de participantes na concretização dos seus objetivos. Ele traz para a o momento de
implantação dos objetivos de uma agenda internacional ratificada por Estados membros da
ONU diversos atores. Incluiu-se, inclusive, o próprio indivíduo, em virtude de se tratar de um
documento que prevê medidas concretas que serão realizadas no âmbito local. Todos estes
atores colaboram com o cenário internacional pois materializam parte dos objetivos e metas
traçados pela Agenda. É através da sua atuação conjunta que se alcançará o desenvolvimento
sustentável, o que os leva para além do cenário local, e passam a fazer também parte do
cenário internacional.
Tal situação é de suma importância. Conforme analisou-se, o surgimento histórico do
desenvolvimento sustentável é o reflexo de inúmeros anos de insustentabilidade. O estudo e
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evolução das teorias acerca do conceito mostram-nos que os Estados devem tomar a liderança
elaborando políticas públicas e programas de governo que sigam na busca da concretização do
desenvolvimento sustentável, mas é no âmbito local – o das cidades – que os reflexos da
insustentabilidade são sentidos, e onde as ações concretas devem ser adotadas. A sua não
implantação afetará diretamente os cidadãos no seu local de vida. Portanto, trazer para a
Agenda 2030 atores de âmbito regional e local é dar força e voz nas relações internacionais
para os maiores afetados da insustentabilidade econômica, social e ambiental global. É
permitir que os afetados pelo desenvolvimento insustentável possam participar das escolhas e
auxiliar a definir quais macro políticas serão escolhidas, o que não ocorria até então. É ainda
outorga-lhes o direito de participar da implantação das políticas focadas no alcance do
desenvolvimento sustentável, conferindo força para atores que muitas vezes são relegados
pelas relações internacionais.
Conclusão
Cada vez mais o número de atores cresce no cenário internacional, evoluindo da
situação de anarquia Estatal e atores unitários para um cenário de atores múltiplos e
complexos, o qual interrelaciona inúmeras figuras que convivem em um mesmo espaço,
buscando objetivos distintos, mas nem sempre conflitantes (muitas vezes em cooperação).
Para auxiliar na coordenação de toda esta vasta gama de relações interdependentes surgem
organizações internacionais, que auxiliam na ordem global. A de maior importância na
atualidade é ONU, que conta com a participação de todos os Estados.
O fato dos atores dividirem o mesmo espaço comum fez crescer e se destacar, ao
longo do tempo, a necessidade de regulamentação do desenvolvimento das nações. O meio
ambiente global deve ser preservado para o bem de todos, e utilizado sem abuso pelas maiores
potências. Pelo contrário, tais potências devem sofrer maiores restrições, por questões
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históricas de exploração predatória dos recursos naturais e degradação planetária. Esta é a
razão de, ao longo dos anos, inúmeros acordos e tratados submeterem os Estados a regras que
buscam concretizar o desenvolvimento sustentável, limitar a insustentabilidade atual e regular
os pesos nesta balança desigual, onde encontramos uma enorme discrepância entre os Estados
envolvidos.
A Agenda 2030 – ratificada por Estados dentro de uma organização internacional –
apresenta como os atores domésticos irão implementar ações, e traz o âmbito local para o
campo das relações internacionais. Assim, concede-lhes relevância na aplicação e
concretização de seus objetivos, especialmente por focar nele as políticas de desenvolvimento
sustentável.
O debate acerca do desenvolvimento sustentável se iniciou na década de 1960, e
seguirá sempre como um tema relevante. A adjetivação do desenvolvimento das nações como
sendo sustentável precisa acompanhar as mudanças constantes inerentes a uma civilização
tecnológica. Além disso, deve sempre apresentar metas desafiadoras aos Estados, mantendo
seu foco na melhoria contínua e na busca da melhor situação possível aos habitantes do
planeta, implicando em benefícios e sacrifícios. Tais situações apresentam-nos um cenário
onde será difícil concretizar as ideias de desenvolvimento sustentável. Todavia, ao
analisarmos sua evolução histórica, bem como a evolução das relações internacionais, vemos
que as teorias sobre as relações internacionais e desenvolvimento sustentável acompanham a
evolução global, buscando estar atualizadas e em consonância com o cenário que refletem,
para servirem aos seus propósitos.
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